Quando dizer eu te amo reddit

Eu sou fantástica!

2020.09.15 02:26 Cintilante Eu sou fantástica!

[edit: Vocês são fantásticos! Não imaginei que esse post fosse receber tanta atenção positiva. Vocês me fizeram muito feliz
E, kind stranger, obrigada pelo award]
Há um tempo atrás escrevi um post no tumblr dedicado a todas as coisas ruins da minha personalidade. Por muito tempo planejei escrever o antipost com a intenção de provar que nem tudo é fezes no meu reino e que eu também sou fantástica.
O momento finalmente chegou! Eis aqui uma lista - imensa, eu espero - que prova isso.
1 - Eu converso muito bem. Muitos anos de muitos livros e uma predileção por retórica me deram o dom de sustentar conversas agradáveis. Eu consigo fazer piadas bobas ou falar de Filosofia com alguma facilidade. E consigo fazer as pessoas rirem e se divertirem de verdade.
2 - Eu escrevi um relatório de Milikan praticamente sozinha. Milikan foi um cara muito louco que determinou a carga do elétron com um experimento extremamente trabalhoso em que gotas pentelhésicas de um óleo são ionizadas e depois submetidas a um campo elétrico e magnético - Ou campo elétrico e queda livre - dentro de uma caixinha pequenininha com um papel milimitrado ao fundo. Determinando o tempo que a tal gotinha leva para atravessar uma determinado distância - e repetindo o processo o maior número de vezes até que a gota suma do seu campo de visão - você é capaz - através de uma série de cálculos - de definir a carga do elétron.
Eu escrevi esse relatório praticamente sozinha no Laboratório de Moderna. A nota foi 8,5, mas deveria ser 9 se eu não tivesse tido a brilhante ideia de colocar uma tabela ao final do trabalho sem utilizar os dados com algarismos significativos.
Eu também achei a carga de meio elétron ao final do experimento, mas isso não vem ao caso.
3 - Tudo que eu pego para fazer eu faço da melhor maneira possível. Seja sobrancelha de henna, unhas, desenhos, limpeza. Eu tento fazer da melhor maneira possível. Da mais perfeita.
4 - Eu escrevo bem. Tenho histórias bem legais guardadas em um blog. Tenho facilidade em usar palavras. Em combinar palavras. Em trazer humor a escrita. E eu escrevo desde sempre. Primeiro diários, depois histórias, depois cartas para amigos, depois cartas de despedidas por causa de um pseudo câncer com o qual eu mesma me diagnostiquei, depois blogs.
5 - O meu cabelo é lindo! Sério, é cabelo de unicórnio que só usa Pantene. Ele é lindo e gigantesco.
6 - Eu sou uma boa amiga. Eu tomo as dores dos meus amigos e tento dar conselhos sempre que eles me procuram com problemas.
7 - Eu amo dançar. E danço bem. Desde criança eu tiro um prazer imenso da dança. Lembro das coleguinhas da rua virem para cá e nós nos acabávamos dançando cds e mais cds todos os dias. Eu acredito ter uma facilidade para a dança, mas também tenho vergonha de dançar na frente dos outros.
8 - Eu desenho bem. Poderia ser melhor, se eu praticasse, mas eu creio que desenho bem para quem é preguiçosa.
9 - Eu falo e escrevo em inglês extremamente bem. Não é mérito só meu. Eu tive a chance de começar muito cedo por causa de um casal de velhinhos que alugavam casa para os meus pais. O senhor tinha vários livros de inglês e me ensinou desde que eu tinha três anos. Eu era atração na igreja que meus pais frequentavam.
10 - Eu dei uma aula fantástica usando o Tracker no estágio da faculdade. Fiz um PowerPoint com o Bob Esponja na capa e dentro vários gifs explicando o funcionamento do programa. Tracker é um app legal demais que te permite calcular, por exemplo, a gravidade ou a velocidade de alguma coisa, usando vídeos. Você marca a movimentação de um pixel frame a frame e o tracker converte esse negócio em distância. Daí ele faz os cálculos e também gráficos. (Tem vídeos no youtube da galera calculando a gravidade no Angry Birds, por exemplo)
11 - Eu gosto de explicar coisas. Eu me satisfaço demais explicando coisas complexas que consegui entender para outros. Como, por exemplo, o funcionamento do microondas. Como ele “nasceu” da ideia da criação de um raio da morte na segunda guerra e evoluiu nessa coisinha pequena e prática que temos em casa que usa campos magnéticos para mexer com a dipolo água, e desse jeito esquenta nossas comidas e não nossos cérebros.
12 - Eu amo resolver problemas no trabalho. Minha maior satisfação é ter uma pilha de coisas para fazer e conseguir resolver cada um deles, por mais complexos que sejam, sozinha ao longo do dia.
13 - Eu amo animais. E ajudo todos os que posso. Sempre que o dinheirinho permite.
14 - Eu consegui entender Nietzsche sozinha - E também sei escrever o nome dele sem precisar do Google. Quando digo sozinha quero dizer através da minha própria pesquisa e curiosidade. Sem ser obrigada. Tive conversas extremamente legais no Reddit na sub de Filosofia que me auxiliaram demais. Conversas que eu não me achava capaz de ter, sobre coisas que eu não me achava capaz de aprender.
15 - Eu consigo rir da minha desgraça. Às vezes até mesmo durante a desgraça. O terapeuta sempre dizia que eu ria enquanto chorava e fazia piadas com o choro também.
16 - Eu fico bonita chorando.
17 - Quando alguém me procura com alguma tristeza para contar eu sempre quero muito dizer a coisa certa para aliviar esse sofrimento.
18 - Eu sonho ser livre. Do medo, da rejeição, da carência. E esse meu eu ideal, essa Casanova de chocolate é tão legal e me faz tão feliz que me afastar dela todo dia com a realidade me faz sempre um pouco mais triste.
19 - Eu sou cheirosa - Em horário comercial.
20 - Eu sou simpática e falo com todo mundo.
21 - Eu sou carinhosa - Ainda que tenha vergonha disso.
22 - Eu beijo bem - Foi o que ouvi dizer.

É um textão e talvez ninguém leia, mas eu precisava compartilhar isso com alguém.
E mais, se você, como eu, se sente geralmente incapaz, desinteressante, pequeno, faz a sua listinha também. Em cima das fezes às vezes existem flores.
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2020.04.13 20:43 mkrtyy O que fazer com minha vida!? Continuar ou "parar" de vez!?

Será um texto BEM grande e, espero que consigam ler até o final.
Antes, preciso contar o que aconteceu comigo nesses últimos dois anos:
Em 2018 conheci uma garota pelo Facebook, da qual me apaixonei bem rápido e começamos a namorar com apenas uma semana de conversa(Um puta erro, eu sei). Tivemos 3/4 belos meses de namoro; eu perdi a minha virgindade com ela e, com o passar do tempo fomos tendo relações mais frequentemente e, todas sem proteção(mais um erro, eu sei). Lá para o 5° mês de namoro, ela me veio com uns papos de "querer ter um filho comigo", mesmo a gente sendo muito novos(Tínhamos ambos 15 anos na época), eu sempre tentava "resistir" quanto a isso e recusar, porém, com o passar do tempo ela começou a fazer várias chantagens emocionais para que eu aceitasse fazer aquilo. Eu era bem carente e me sentia sozinho, começou a vir os pensamentos que ela me deixaria caso eu ficasse recusando, foi nisso que cometi o maior erro da minha vida: eu "aceitei". Fizemos, e pra minha """surpresa""" realmente aconteceu dela engravidar(Avá). Me arrependia a cada dia mais, a ficha não caia de forma alguma. Com o passar do tempo nosso namoro foi se decaindo, eu não me sentia mais tão feliz ao lado dela, mas, não queria terminar por ser meu primeiro namoro sério e que havia citado tanto e, por ela estar grávida essa decisão pesava mais ainda.
Meu filho nasce, a essa altura eu já estava exausto de tudo que passava com ela, não me sentia mais feliz com aquilo, mas, mesmo assim continuava com ela.
Vamos chamá-la de Fabiana.
Fabiana e eu, por influência do meu pai começamos a morar juntos em uma casa de um parente meu que estava desocupada. Detalhe: eu e nem ela trabalhávamos mas mesmo assim decidimos morar juntos, com nosso filho também, é claro. 2018 se passou e isso tudo já ocorria em 2019.
2019 com certeza foi o pior ano da minha vida, resumido em cansaço físico e mental constantemente, não aguentava toda aquela situação em que eu passava todos os dias, toda aquela pressão familiar e da Fabiana para arrumar um emprego, toda aquela dificuldade que passávamos(eu tinha que ir todo santo dia na minha mãe pegar comida para nós comermos). Qualquer discussão, por quão pequena que fosse eu já sentia uma vontade enorme de chorar, minha cabeça já não aguentava mais. A vida foi perdendo a cor, eu sentia que não tinha mais sentido algum tentar ser feliz, o único caminho que eu poderia seguir era o da tristeza e amargura.
Na minha vida, eu conhecia uma outra garota antes da Fabiana, vamos chamá-la de "Ana". Ana e eu não tínhamos muito contato, ela era uma colega de classe minha, mas, que era uma pessoa que eu admirava muito e a achava muito linda. Eu sentia algo por Ana, porém, a minha insegurança quanto a minha pessoa era enorme, tanto que, decidi ignorar quaisquer sentimentos que eu sentia por ela e por esse motivo decidir começar meu namoro com a Fabiana.
Pois bem, no final de 2019 ainda com a Fabiana, começo a me lembrar da Ana e não tirar ela da cabeça 1 minutos sequer, isso me corroia por dentro a cada dia mais. As brigas já eram constantes e eu não aguentava mais a Fabiana, uma garota com um ciúmes fora do normal, que até mesmo ficava me dando tapas na cara por eu supostamente, de acordo com ela, olhar as garotas na rua quando saiamos juntos. Era horrível.
Finalmente chega 2020, eu já estava enlouquecendo com a Fabiana, depois de tantas discussões logo no começo do ano, brigas realmente MUITO feias e que todo mundo via, um "quebra pau" diariamente. Faço meus 17 este ano e é meu último ano na escola, Ana ainda estudava comigo, só haviam me mudado da sala dela, mas, ainda estudariamos no mesmo horário.
Em Janeiro mando uma mensagem a Ana, ela não responde(Ana namora, eu mando apenas um "Oi, tudo bem?" E coisas do tipo). No meio de Janeiro, incrivelmente Ana me manda uma mensagem, pergunto se ela está bem e ela diz que não, ela me diz o motivo: o namoro dela já não dá mais certo. Sinto um pouco de esperança nisso(KKK).
Dou meus conselhos de acordo com o que ela me diz(realmente estava uma merda o namoro dela e o melhor era terminar). Pois bem, ela termina o namoro e passamos a conversar frequentemente. Em Janeiro tentei me matar ao menos 4 vezes, por toda aquela pressão e cansaço que eu sofria com Fabiana. A última briga que tivemos foi bem feia, tanto que, deixo de morar com minha mãe para ir morar com minha irmã.
Hoje, eu e Fabiana temos uma "relação" maravilhosa, mas, admito ainda ficar mal com todo meu passado recente.
O motivo por eu ainda ficar assim: Eu e Ana ainda não podemos namorar e ficar juntos.
Minha mãe trabalha com a mãe dela e, a mãe dela sempre ouvia sobre meu antigo relacionamento(não preciso nem dizer que não eram coisas boas). Ela criou algo na cabeça dela(Mãe da Ana): Eu namorava uma LOUCA.
Mãe da Ana não aceita que a filha dela namore comigo, por medo da minha Ex(Fabiana). Tem a questão de eu ter um filho ao 17 também, o que a deixa com um pé atrás também, e que, já fez a Ana ouvir coisas do tipo: "Você vai assumir o filho dele?" E blablablá.
Ana, tem MUITO medo aparentemente de seus pais, quer sempre a aceitação deles, pelo o que ela disse a mim. Ela decide "esconder" a gente por um tempo dos pais dela e, contar "na hora certa".
Hoje, me sinto com um medo enorme de, talvez não ficar com Ana e me afundar mais ainda, pela questão de "não superar" esse meu passado recente e traumático. Acho que não consigo mais ficar sozinho, não conseguiria mais seguir em frente.
Bom, fui ao psiquiatra, me passaram dois remédios: Um para depressão e outro Ansiedade, marcaram terapia com o Psicológico(Que não estou indo por conta do Corona).
Só queria palavras de apoio, para tentar seguir em frente com a Ana e vencer quaisquer eventos ruins que possam acontecer mesmo.
Ultimamente me sinto numa Ansiedade enorme, ando sempre estressado e sem rumo. Dicas de como controlar toda essa Ansiedade seriam muito bem vindas.
Agradeço muito a quem leu até o final, espero que sejam todos muito felizes e que, nunca passem pelo o que eu passei. O que mais fica em mim hoje é o arrependimento de muitas das minhas atitudes do passado.
Algumas coisas a esclarecer:
Ana admite também sentir interesse em mim, desde antes de tudo isso, eu apenas fui tolo e inseguro para não me abrir com ela naquele tempo.
Não culpo meu filho por nada do que aconteceu, pelo contrário: eu o amo e coloco ele a frente de tudo atualmente.
(CASO EU ESQUEÇA DE ALGO FAÇO UM EDIT)
P.s: se houver algo que não está claro para vocês, digam que eu esclarecerei.
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2020.02.22 22:08 Vitorcerqb Lidando com a morte de um amigo.

Não sei se alguém realmente vai achar isso interessante ou que valha a pena ler, mas eu quis compartilhar o que escrevi sobre a minha experiência em algum lugar e o fato do Reddit ser (mais ou menos) anônimo ajudou:
Ontem eu descobri que meu amigo morreu.
Chorei pela primeira vez em um tempo e então chorei de novo. Não éramos melhores amigos mas eu realmente gostava dele. A morte dele foi bem repentina e assustou todos na minha escola. Ele não estudava mais no meu colégio mas ainda assim houve muita comoção e muitos foram liberados para casa mais cedo.
Sinto pena dos seus pais. Sinto pena da sua irmã. Eu não consigo imaginar o que eu faria se um dia eu acordasse e a minha irmã estivesse morta do meu lado. Uma das primeiras coisas que eu fiz quando comecei a processar a informação foi dizer à minha irmã que eu a amava. Talvez ela não tenha percebido o significado que aquelas palavras de “Te amo. Você está bem?” tinham naquele momento mas o que importa é que eu disse.
Espero me lembrar bem dele mais tarde na minha vida, na verdade é bem estranho quando as memórias que você tem com alguém querido que morreu ficam menos claras. Eu percebi ao longo dos anos que a eu não lembro tão claramente da voz dos meus avós paternos e isso me incomoda. Minhas memórias do meu amigo são claras como se ele ainda estivesse vivo e me assusta o fato de que em breve poderá parecer uma memória distante.
Mexe comigo o quão cedo ele se foi. 17 anos. Ele ainda tinha muito o que viver mas agora qualquer planos que ele tivesse não importam mais. Ele poderia muito facilmente estar vivo agora, mas uma série de eventos infelizes nos levou a onde estamos. Ele foi a pessoa mais jovem que eu ja vi num caixão e ver a mãe dele chorando por cima do seu corpo parecia ter saído direto de um filme. Ir ao velório dele foi uma experiência surrealmente triste mas eu sinto que precisava disto.
Sinto saudades de conversar com ele agora como nunca e não há nada que eu possa fazer agora.
Isso tudo ainda é um pouco inacreditável.
Eu espero que ele estivesse o quão pronto quanto ele podia estar quando partiu.
Voltei do velório com alguns amigos que eu tinha em comum com ele. Ficamos um tempo juntos e de um jeito todos estávamos nos reconfortando e impedindo de pensar no que havia acontecido.
Pode parecer um pouco clichê e você já deve ter ouvido algo parecido antes mas neste momento nada faz mais sentido para mim: estime cada momento que você está vivo e cada momento junto daqueles que você ama. Não temos controle suficiente do dia de amanhã.
Daniel, as saudades de ti e o seu impacto em nós é tudo o que resta. Descanse em paz.
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2020.02.20 16:37 Archangel1902 Não está fácil.

Boa tarde, sou novo por aqui, procurei um lugar que eu pudesse desabafar e ao mesmo tempo receber alguns conselhos...acabei encontrando o reddit. Vamos lá.
Irá fazer um ano que conheci uma moça pela internet, a princípio, ela tem alguns problemas como depressão... procurei incentiva-la, dar apoio, uma pessoa com quem ela pudesse contar. Meses se passaram e nos aproximamos bastante, a amizade ganhou um toque de amor, carinho e afeto. "Amo-te" começou a ser mensagens comuns entre nós, assim como palavras de carinho, e uma preocupação recíproca um ao outro.
Entretanto, eu já escondi demais meus sentimentos com as pessoas, estou ciente que sou muito jovem e que posso mudar isso. E foi exatamente com ela que decidi mudar, eu a amo. Ao falar com ela sobre esse amor, relacionamento e por um toque mais aprofundado na nossa, até então, amizade, ela muda de assunto, fica "sem palavras" sobre o que dizer. Ela diz que isso é difícil para ela, pois entende que não é uma pessoa para se namorar, que é complicado para ela conhecer os familiares (O que me deixou com uma dúvida, uma vez que ela me contou que um dia foi para a casa do ex-namorado, que mora com a família, e acabou dormindo na cama dele) e até mesmo sair em público. Mas um detalhe, nós moramos muito longe um do outro.
Ela já namorou pela internet e com um rapaz da cidade dela, entretanto, esses namoros aparentemente foram bem desgastantes para ela.
Nós conversamos todos os dias, sempre acordo com o bom dia dela e ela acorda com meu boa noite em seu whatsapp. Ela já me disse que sou muito importante para ela, que não quer me perder, que quer minha companhia para sempre. As vezes eu fico um pouco off, e ela fica preocupada, manda mensagem, fica até um pouco chateada quando eu volto e me pergunta onde eu estava. Dar explicações sobre onde eu estava (Sempre em casa) já aconteceu algumas vezes.
Sinto que temos uma ligação forte, não gostamos de ficar longe do outro (sem falar no whatsapp). Só que isso se manterá apenas como amizade, eu gostaria que tivéssemos algo mais além do "melhor amigo". Por morarmos longe, tenho medo de perde-la para outro, pois quero muito bem a ela. Me lembro daquela música, "Só quero que você seja feliz, com ou sem mim...". Porém, a opção sem mim eu não imaginaria o tamanho da dor.
Enfim, esse é meu desabafo. O que eu posso fazer? Será que ela tem medo de aprofundar a nossa amizade? Ou o amor seria apenas de amigo? Eu já passei algumas noites tentado encontrar essa resposta. Conto com os conselhos de vocês mais experientes, pois para mim, isso tudo é novo.
submitted by Archangel1902 to desabafos [link] [comments]


2018.12.03 12:02 DrHelminto (Tribunal do Karma) - /u/bolonaro vs. /u/dannylithium sob acusação de ser um bot.

Mais uma sessão do Tribunal do Karma.
A acusação desta vez foi formulada pelo usuário bolonaro*, no sub* /brasilivre no post: https://www.reddit.com/brasilivre/comments/a2mywe/teoria_da_conspira%C3%A7%C3%A3o_udannylithium_%C3%A9_um_chatbot/
Segue a transcrição da denúncia:
u/dannylithium não é um ser humano, ele é um robô criado para farmar karma, para que a conta seja vendida depois.
Existem sides especializados em compra e venda de contas de karma alta e idade alta no Reddit, os anunciantes compram essas contas para que possam fazer propaganda sem serem banidos ou ignorados.
As respostas repetitivas, o aspecto breve das mensagens, tudo isso sinaliza que ele é um bot, e não um humano.
O fato dele ter concordado com vários posts de esquerda também sinaliza que ele é um NPC. Ele foi treinado a partir de bancos de dados com frases esquerdistas, que são mais comuns na mídia.
A pessoa que criou o u/dannylithium tem milhares de outras contas espalhadas nesse sub e também pelo Reddit. Na verdade talvez eu seja o único ser humano nesse sub, eu já não sei mais.
Convoco o juiz concursado titular DrMalvado para o julgamento
Advogado de Defesa será o já consagrado advogado vitorioso PetistaSafada
O promotor apontado pelo acusador é o ssantorini*, pendendo aceitação. Mas já há declaração de acusação do* bolonaro
Escrivão: DrHelminto
Que comecem os trabalhos.

Prova 1, análise do WhyNotCollegeBoard**, bot que calcula as chances de um usuário marcado com "bad/good bot" em ser um bot:**
https://www.reddit.com/brasilivre/comments/a2mywe/teoria_da_conspiração_udannylithium_é_um_chatbot/eazrcjr
Are you sure about that? Because I am 99.83274% sure that dannylithium is not a bot.

Declaração da acusação por bolonaro**:**
Qualquer pessoa que como eu creia que o u/dannylithium é um bot pode ser meu advogado. Eu dou preferência a u/ssantorini, mas se ele não quiser, quem se apresentar pode assumir no lugar dele.
A maior prova de que u/dannylithium é um bot é que ele não consegue escrever um post coerente com mais do que cinco linhas. É uma limitação da engenharia da inteligência artificial que está gerando as frases dele.
O laudo técnico do WhyNotCollegeBoard não tem valor nenhum porque um bot programado com técnicas modernas ( de 2018 ) pode enganá-lo com facilidade, ele só detecta bots que ficam repetindo mensagens automáticas o tempo todo, não bots programados com machine learning, o que eu penso ser o caso de u/dannylithium.
Deixo anexado a maior prova de minha acusação, o histórico do próprio usuário, que pode ser lido clicando aqui: u/dannylithium

Prova 2 apresentada pela defesa:
https://www.reddit.com/brasil_drama/comments/a2no7z/tribunal_do_karma_ubolonaro_vs_udannylithium_sob/eazsvbz
O dannylithium passou por um captcha.
Protesto da acusação com a prova 2.
https://www.reddit.com/brasil_drama/comments/a2no7z/tribunal_do_karma_ubolonaro_vs_udannylithium_sob/eazub6l
Vossa Excelência DrMalvado , eu protesto! Existem várias redes neurais escritas no Tensorflow que são capazes de decodificar esse captcha ridículo que foi postado aqui!Olha só isso, 98% de acertos!! Peço que a prova seja rejeitada!
Declaração da defesa sobre a prova 2.
Excelência, o usuário não apenas resolveu o captcha, mas também interpretou com sucesso a requisição da defesa, acessou o link, interpretou a necessidade de apresentar a resposta certa para a corte e finalmente postou a resposta correta. A menos que a procuradoria apresente o repositório de um algorítmo capaz de realizar todas essas tarefas sem intervenção humana, fica claro que é, de fato, um ser humano conscientemente atendendo o que lhe é exigido. A acusação é especulatória no melhor dos casos e, no pior, absurda e maliciosa.

Testemunho livre do Blizzaia**:**
https://www.reddit.com/brasil_drama/comments/a2no7z/tribunal_do_karma_ubolonaro_vs_udannylithium_sob/eaztaes
Absolutamente bot com algumas poucas frases escritas pelo dono da conta, provavelmente para tentar disfarçar.
É só olhar os comentários automáticos dele aqui e não sobra dúvidas.
Ou... é meme.

Prova 3, da acusação. Análise dos metadados do réu.
https://imgur.com/a/wNjZDpF
Protesto da defesa contra a prova 2:
Excelência, peticiono a corte para remover a evidência. A imagem apresentada foi claramente editada com um texto em vermelho visando condicionar o juri a uma conclusão fabricada pela acusação, e portanto claramente enviesada. Além disso, a análise estatística apresentada cobre um período de menos de um dia, o que é perfeitamente aceitável para um ser humano. Em qualquer análise estatística, uma amostra tão pequena jamais deve ser aceita, pois a possibilidade de ruído é grande. Não há evidência conclusiva da atuação de um robô e a evidência apresentada é claramente enviesada.

Depoimento do réu:
https://www.reddit.com/brasil_drama/comments/a2no7z/tribunal_do_karma_ubolonaro_vs_udannylithium_sob/eb18q1i/?context=3&utm_content=context&utm_medium=message&utm_source=reddit&utm_name=frontpage
u/DrHelminto e u/drmalvado
Eis a minha tese: a moderação do brasilivre está tentando arrumar uma desculpa para me banir. Esse julgamento é claramente uma perseguição na qual não há provas, apenas convicção.
Explico.
Ocorre que apesar dos meus comentários serem inconvenientes, eu não estou quebrando, em tese, as regras do Reddit. A moderação do brasilivre precisa dar um jeito de me banir.
Noto que a minha "defesa" até agora foi o "advogado" me mandando resolver um captcha. Até o incel me defenderia melhor.
Observo, também, que o mod u/ssantorini, o moderador que mais me ama (já criou pelo menos 2 posts no brasilivrechorando a meu respeito) ainda não se manifestou nesse julgamento, apesar de ter sido convidado a me acusar. Coincidência? Eu acho que é conspiração da CIA.
Obviamente, no fundo, todos me admiram. Tanto que já fui convidado a ser editor da wiki, moderador e inspirei um (verdadeiro) bot. Tudo bem gente, eu também amo vocês.
Se eu realmente quisesse farmar karma, eu estaria no brasil ou num sub esquerdista gringo qualquer falando mal do Bolsonaro ou do Trump. O que eu quero mesmo é conviver com interlocutores doentes - como drogados (mas já tomei ban em quase todos os subs de drogas) e desajustados sociais (programadores, olavetes, petistas, etc.)
Por fim, gostaria apenas de dizer que sou um gênio incompreendido. Daqui séculos as pessoas irão perceber o tamanho da minha contribuição intelectual para o mundo. Vocês estão fazendo parte da revolução, sintam-se honrados!
Miau, é isso aí!

Testemunho do ssantorini
Apesar de ter sido invocado pela acusação, acho que meu testemunho favorecerá a defesa do réu.
O usuário dannilythum é apenas um lesado que parece ser bot. Ele é um frequentador de subs que falam de drogas, costuma fazer comments falando de drogas ou elogiando experiências desse tipo, tem no nick uma menção a uma droga típica de gente com problemas na cabeça (Lítio) que fica mudando de humor igual macaca com TPM no cio. Tem ambém o fato dele não estar conseguindo farmar karma corretamente, embora isso não afaste a hipótese da acusação (pode ser só um bot mal concebido).
Ele é um attention whore nível 99, como visto no julgamento de TE_Lasco (não gostou do fato de TE_Lasco ter se esquecido dele quando citou vários users para sua defesa).
Tudo indica que se trata apenas de uma pessoa doente da cabeça com o cérebro lesado por drogas, levando a um comportamento que simula a demência, justificando desconfiança dos demais sobre ele ser bot.

Declaração da Defesa, através do advogado PetistaSafada
Excelência, todas as evidências apresentadas pela acusação são altamente especulativas e facilmente descartadas pelo uso do bom senso e das boas práticas estatísticas. Gostaria de lembrar também que este não seria o primeiro caso de perseguição de moderadores sêniors do /brasilivre contra um usuário com opiniões que divergem do comum no sub. Fonte: TE_lasco x /brasilivre
Condenar o sr. dannylithium seria um ataque grave a democracia e a liberdade de expressão. Acusações sem prova concreta para silenciar membros com pensamento diferente mandaria uma mensagem sombria para a comunidade: aqui, somos uma bolha tão ruim quanto o /brasil. Apenas peço a corte que não sucumba a propaganda controladora dos mods do /brasilivre e que garantam o futuro do sub como a última comunidade brasileira onde a liberdade de expressão ainda é prioridade.

Sentença FINAL:
Bem amigos da rede drama! Pensaram que o caso ia ficar por isso mesmo, mas vai ter sentença sim!
Trata-se de denúncia apresentada pelo usuário bolonaro onde acusa u/dannylithium de ser um robô criado para farmar karma, com intuito de obter posterior vantagem ilícita (bot).
A defesa alegou em resumo que o acusado passou por um captcha, alegando ainda que todas as provas foram adulteradas ou que são especulativas, e que podem ser descartadas pelo bom senso. Alega por fim perseguição política pela moderação do sub.
Foram ouvidas testemunhas bem como o interrogatório do acusado.
Foi produzida por fim prova pericial.
Feito o relatório, passo a proferir a minha SENTENÇA:
Será de mussarela? será de calabresa? O fato é que hoje é terça-feira, então não teremos pizza amigos! No mérito a ação é PROCEDENTE. Conforme constou do processo, a acusação que pesa contra o usuário é de ser um robô (bot) criado para farmar karma com intuito de obter vantagem ilícita (lucro na venda da conta a terceiros). Analisando o histórico de postagens do réu (informação esta que é pública e notória), vemos que ele sempre se manifesta de forma laconica, o que indica certa forma automatização nos comentários. Desta vez a acusação não deu bobeira e trouxe provas robustas dos fatos, em especial o laudo pericial, o qual demonstra que o acusado somente deixou de postar por duas horas por dia, além de possuir complexidade de escrita apenas média. Os apontamentos em vermelho não descaracterizam a prova, uma vez que se trata também de análise disponível ao público. Por fim, pesou contra o acusado seu nome conter a palavra lithium, ou seja, lítio, elemento que todos sabemos é utilizado na composição de baterias, o que confirma que o acusado é mesmo um robô. Por todo o exposto julgo PROCEDENTE a acusação. Resta a penalidade a ser imposta. Julgo adequado impor como pena a autorização para qualquer pessoa responder aos comentários do réu com a seguinte expressão: "bad bot" o que automaticamente fará com que ele perca qualquer discussão em que estiver envolvido na internet.
submitted by DrHelminto to brasil_drama [link] [comments]


2018.01.18 19:18 lecolie [Desabafo] Um pequeno texto sobre eu me sentir um lixo, foi mal.

Eu sou um lixo.
É basicamente isso, eu nem sei por onde começar, eu simplesmente sou um lixo. Não é nem que nem aqueles caras nos filmes com uma melancolia romântica. É agonia, frustração e raiva, por eu ser um lixo.
Acho que parte dessa sensação veio da pressão que colocavam encima de mim sobre eu ser um garoto inteligente, e eu ser a criança da família que vai se tornar um adulto bem sucedido. Agora a minha prima ganhou vários concursos pra entrar em escolas de renome ou sla oq, enquanto eu continuo estudando em um colégio estadual, sem saber pra onde a minha vida vai, sem vontade de saber.
Tem o meu "melhor amigo" (eu não sei mais se continuamos sendo amigos, a gente não se vê faz um tempo, mas é porque eu só fico em casa o dia todo e cortei contato com ele praticamente, que é o meu vizinho), ele ta sempre sendo meio produtivo, ele passa o dia com a namorada e fazendo coisas que ele gosta, ele ganha um bom dinheiro administrando uma página do facebook. Era o único tipo de coisa que um dia eu pensei que eu teria, algo grande na internet, pois é na internet que eu fico o dia todo. Mas não, eu sou o garoto que não chegou em lugar nenhum, nem no que eu considerava o meu espaço.
Também tem o meu irmão mais novo que vive falando dos planos dele, embora academicamente eu ainda seja bem superior a ele (sem querer parecer arrogante, o meu irmão que é meio ingênuo mesmo), ele passa confiança por demonstrar saber por onde ir. Ninguém nunca ouviu os meus planos, eu nunca tive planos. Eu sinto que sou uma decepção.
Eu sinto que sou a única pessoa do mundo que não sabe como as coisas funcionam, ou pra onde vou. Em viajens bancadas pelo estado (um jeito mais bonito de dizer passeio escolar) eu sinto que todos os outros estudantes sabem o que ta acontecendo, como vai funcionar quando chegarmos lá, onde vamos lanchar, como não se perder, etc. Enquanto eu só fico lá, seguindo todo mundo. Eu não faço a menor ideia.
Pra falar a verdade eu nem sei se to colocando as vírgulas no lugar certo, ou se eu começo outro parágrafo na hora certa, eu tenho a sensação de estar perdido o tempo todo.
Até no reddit quando eu vou postar algo eu leio as regras umas cinco vezes, leio posts dos outros pra pegar alguma referência, e ainda fico nervoso na hora de postar, me perguntando se eu to fazendo algo errado, sentindo como se eu fosse ser gravemente punido por isso.
Sabe aqueles pais que te pedem pra fazer umas coisas, mas tipo, na língua deles? Eles te pedem pra fazer algo que você meio que não entendeu o que eles quiseram dizer, aí vocês ficam com um pouco de medo de perguntar, e medo de fazer tudo errado. Então, é assim o tempo todo, com tudo, com todo mundo, em todos os lugares. Aliás, espero que tenham pego a referência dos pais, espero que não seja assim só comigo.
Eu acho que deveria ter pensando mais cedo em dizer que tenho 17 anos, imagino que alguém lendo isso agora deve estar pensando "Ah caralho, mas é claro! Ele tem 17 anos, porra, perdi meu tempo me importando um pouquinho com isso", só posso pedir desculpas, mesmo. Foi mal.
Eu sou um daqueles jovens que andam meio estranho na rua, que evitam contato visual e acabam fazendo o contato visual mais bizarro que o dos quadros nos filmes do Harry Potter. Eu tento ser gentil nas lojas, e quando me entregam o troco eu falo um "obrigado" como se tivesse um agente me espiando da esquina falando "Agora, diga obrigado" em linguagem de sinais. Quando eu vejo um grupo de pessoas na calçado eu fico super nervoso, começo a entrar em pânico e, quando as pessoas finalmente já passaram, eu espiro como se tivesse fazendo aqueles exercícios de controle da raiva.
Por favor atravessa a rua, pega o celular, olha pro céu, sla.
Me salva dessa situação, por favor.
Uma vez eu fui numa sorveteria com mais dois amigos, faz tempo, pedimos os sorvetes e a moça perguntou "Cobertura?", então eles dois disseram "não" e eu dissei "De morango", ela não me ouviu, e eu deixei passar, eu prefiro deixar essas coisas passarem, é mais confortável pra mim. Então a moça foi entregar os sorvetes e um deles disse "ele quer cobertura" e eu automaticamente pedi pra ele ficar quieto, cara, isso foi horrível, ela disse "Ah desculpa, desculpa mesmo, é que eu não ouvi" e eu disse "Tudo bem", nessa hora eu só queria que um assaltante entrasse na loja, alguém reagisse, e ele matasse todo mundo. É como se a maneira como as minhas interações sociais funcionavam tivesse sido descoberta, como se tivessem tirado a minha máscara, eu fui exposto, eu me senti exposto. Agora eles sabem que eu posso estar deixando várias coisas passarem, agora eles podem ter medo do que eles não me ouviram dizendo. Pelo menos é assim que fica na minha cabeça, na minha cabeça a minha presença deixa eles desconfortáveis.
Mas tem uma pessoa especial com quem eu converso sempre, ela me inspira a fazer as coisas, ela me move, eu amo ela. Ela é incrível, ela faz as coisas, ela faz coisas bem legais e inspiradoras, eu amo o que ela é. Ela não gosta quando eu falo mal de mim, então eu tenho falado bem menos do que antigamente, mas é provável que isso que eu acabei de escrever, isso tudo, não agrade ela. Eu quero que ela leia, e fique feliz pela hora produtiva que eu tive, quero que ela tenha orgulho do que eu fiz, eu transformei a minha agonia em palavras sólidas que fazem sentido (eu acho (eu espero)). Ela faz eu me sentir bem quando eu to me sentindo mal, ela faz eu QUERER me sentir bem. Eu realmente amo ela.
Enfim, eu me sinto um lixo (de um jeito não romântico), o meu cabelo tá sempre bagunçado (de um jeito não romântico), mas eu tenho uma pessoa especial (de um jeito romântico), que eu amo (de um jeito romântico). Obrigado pra quem leu até aqui, de verdade. Mas eu não tenho como te devolver esse tempo, foi mal. Talvez eu tenha me perdido um pouco no meu próprio texto, foi mal de novo.
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2017.09.25 21:45 botafora01 Sinto que a minha vida já está traçada

Desde já peço desculpas pela muralha e pelo throw away
OK, desde o Ensino Médio eu sofria com algo que eu imagino 90% do Reddit sofreu: não conseguia pegar sequer resfriado. Era extremamente zoado pela sala toda por isso (meus amigos até hoje dizem que eu sou o único da turma que nenhuma mulher chegou), cheguei até a apanhar por isso. Só fui perder meu BV no meu ano de calouro na faculdade e a minha virgindade quando fui num bordel. Eu ficava triste com isso, mas também estava esperançoso: afinal, era um adolescente, estava entrando na faculdade, e todos sempre me louvavam por, segundo eles, eu ser muito inteligente. A menina que eu gostava na época, e que até hoje é uma amiga (e que eu passei a maior vergonha da minha vida, ao me declarar pelo fucking MSN), vivia brincando dizendo "O nerd de hoje é o cara rico de amanhã". Boas memórias.
Chegou 2013, e eu entrei na faculdade. Não fui maravilhosamente bem no ENEM, mas consegui uma bolsa integral em Administração em uma bela universidade. Escolhi Adm por pensar que o mercado estava bom e por ser noturna, o que me permitiria trabalhar. Nesse período, perdi meu BV e fiquei com outra menina uma vez, num espaço de 9 meses. Pra mim, isso era o ápice, eu era o deus da conquista, mesmo que meus novos amigos me zoassem de "pega ninguém" do mesmo jeito. Nessa época, eu baixei o Tinder e conheci o meu primeiro namorico, vamos chamar de Ana. Ana morava a 3h30 de viagem, então era praticamente um namoro à distância. Ficamos algumas vezes, 3 meses depois começamos a namorar e, depois disso, ela passou o mês seguinte dando desculpas para eu não ir lá. Chegou fevereiro, veio o carnaval, e ela disse que estava passando mal. Foi para o hospital e detectaram leucemia. Óbvio que eu pirei, queria ir pro hospital dela de todo jeito, mas ela nunca deixava, dizia que os pais me viriam, iria arrumar encrenca, ela iria ver um momento que estivesse sozinha. Se passaram 5 meses nesse tormento, hora ela dizia que estava boa, hora dizia que estava mal, quimio e afins, até que meus amigos de sala fizeram uma intervenção comigo, mostrando que não havia nada em rede social nenhuma dela a respeito de câncer, mostrando que ela estava postando normalmente sobre coisas cotidianas e que era a maior retardadice do mundo eu não ter ido nenhuma vez ver ela. Eu fiquei meio balançado, até porque meus pais concordavam com este ponto de vista, mas fiquei meio irregular com ela. Pouco mais de um mês depois disso, ela disse que tinha tido alta, tinha encontrado um ex, tinha ficado com ele e queria terminar. Não lamentei muito, até porque isso ocorreu em um espaço de uma semana, no máximo. Terminei e, desde então, ouvi dela duas vezes na vida. Passou.
Vale mencionar que, nesse meio tempo, a minha vida em casa havia melhorado demais: durante meu período de Ensino Médio, minha adolescência se resumia a passar finais de semana com minha mãe em bares, vendo ela entrar quase em coma alcoolico com as amigas e outros finais de semana na casa do meu pai, vendo ele ficar bêbado e chorar no meu ombro sobre ele ser um fracassado que não conseguiu sequer manter um casamento. Quando eu terminei, minha mãe já estava mais centrada (como está agora), saindo ocasionalmente e socialmente, e meu pai parou de beber após enfartar e voltou a ser o cara extremamente trabalhador que eu sempre admirei. No fim do meu primeiro ano de faculdade, eu passei a estagiar em um instituto federal. Ao mesmo tempo do término que eu disse acima, eu fui chamado para um concurso temporário, em outro órgão público, bem mais perto de casa.
Poucos meses após eu terminar com a Ana, entrou em cena a pessoa que eu, de fato, considero como a única que eu namorei. Vamos chamar ela aqui de Beatriz. Beatriz me chamou no Facebook, para brincar sobre uma postagem que eu havia feito (já havíamos tido pequeno contato ainda no colégio), e daí começamos a conversar. Dois meses depois, ficamos e, 5 meses depois, começamos a namorar. Ela perdeu a virgindade comigo e, na prática, eu também perdi com ela (transei com prostitutas umas 4 vezes antes. Fiz exames, por precaução, e não deram nenhum reagente). Eu aprendi demais a me aceitar com ela, nós tínhamos a mesma personalidade, ela era a primeira pessoa que não só não me julgava por meus interesses, como me incentivava a seguir eles. Não me cobrava nada, eu não cobrava nada dela, mas conversávamos de forma quase ininterrupta das 7 até meia noite. Com ela, no entanto, eu descobri algo que já havia visto antes nos bordeis: não sei o que me causa, mas com certeza eu tenho ejaculação precoce. Fui em um urologista, que me disse que era algo psicológico, que eu só precisava "me desligar". Tentei os exercícios que o próprio Reddit indica, mas nunca funcionava. Usei camisinha anestésica 2 vezes: uma vez foi uma maravilha, na outra estourou e eu traumatizei. Sempre me sentia extremamente culpado e furioso comigo mesmo após cada fim de penetração, mas o que atenuava era a presença dela, que sempre me dizia que não ligava, que eu conseguia deixar ela no céu somente com as preliminares, que não ligaria de passar por isso por não sei quanto tempo. Tudo que eu me julgava errado, ela me mostrava que não ligava. Eu me sentia num porto seguro com ela, e isso me impulsionava na faculdade: eu imaginava que iria me formar em um emprego na iniciativa privada, sem "data de validade" como meu emprego temporário, e que, 1 ou 2 anos após isso, estaria casado com ela. O único motivo de discussão que tínhamos era que ela tinha total ojeriza de tornar público: não podia postar nada com ela no Facebook, não podia atualizar status de relacionamento, não podia ir conhecer os pais dela, que "iriam proibir completamente". Mesmo os amigos eu só vi 2 vezes (uma outra vez eu não pude ir por motivos profissionais). Eu sempre entendi que isso era um receio dela, então, mesmo um pouco frustrado, eu aceitava. No que eu terminei minha monografia, estava preocupado com a questão do mercado, mas nada demais. Até que veio o dezembro, 1 ano e 4 meses após começarmos a ficar.
Eu estava na faculdade, pegando os convites de formatura, quando ela mandou o tradicional "precisamos conversar". Resolvemos por texto mesmo: ela disse que gostava de outra pessoa, e que se sentia culpada namorando comigo com interesse em outro. Aceitei, triste, e demos um tempo. 2 dias depois, um amigo me manda uma foto no perfil de um rapaz, que era o mesmo que ela gostava: ambos deitados, ela de top e ele sem camisa, e uma descrição bem...insinuante. Óbvio que eu pirei, liguei para ela, tivemos uma baita discussão, mas, depois disso, esfriou. Acabamos nos vendo, e ficando de novo. Ela terminou com o rapaz, mas ainda jurava de pés juntos que aquela foto era uma coincidência, que ela não havia me traído, que jamais faria isso, que era íntegra. E ficamos uns bons 3 meses indo e voltando até que, em abril, ela me mandou um testamento contando tudo: numa segunda, ela estava na casa de uma amiga, com este rapaz e o cara que a amiga estava pegando. A amiga e o peguete dela começaram a dar uns amassos no local e, segundo ela, ela não conseguiu "resistir" e montou no cara. Uma traição espetacular, que até hoje eu uso como humor auto depreciativo. Fiquei em choque por um tempo, mas, contra os conselhos de todos, perdoei ela e voltamos a namorar. Mas não era a mesma coisa. Ainda era maravilhoso por um aspecto, mas, por outro, ela estava insegura com o relacionamento (dizia que se sentia culpada por ter "estragado tudo por um impulso") e eu estava inseguro com tudo, precisava de validação dela pra tudo, principalmente no que tangia sexo. Eu já era inseguro sexualmente antes, agora era 3x mais, então eu basicamente a induzi a me contar toda a experiência sexual dela com ele, até eu me sentir menos perdedor. No entanto, eu estava começando a me recuperar em junho, estava me reencontrando, entendendo que estava apertando ela desnecessariamente (uma amiga teve essa conversa esclarecedora comigo). Então, tanto como solidificação como um pedido de desculpas, eu planejei uma viagem para nós, no dia que ficamos pela primeira vez, que cairia num sábado. Disse para ela os planos, ela ficou elétrica, empolgada, começou a me mandar links do local, brincar com meus planejamentos e afins...e, na semana seguinte, pediu para terminar. Disse que nunca esteve certa sobre nós termos voltado, que ela ainda me amava, que ainda sentia tesão comigo, mas que não se sentia pronta para um relacionamento sério, e "não queria me magoar". Aceitei, até mantive o contato, pq, nesse meio tempo, ela virou a minha melhor amiga. Mas o mesmo amigo da vez anterior me mandou um print de uma conversa dela com a irmã dele, dizendo que tinha terminado por estar afim de outro cara, e eu reconheci o sujeito: era um cara que ela falava horrores bem dele, "ah, fulano fez isso, fulano fez aquilo, me ajudou com x, um cara foda, faz não sei o que". Não sei se ela me traiu, mas tal conversa era de 1 dia e meio após termos terminado, e ela já havia ficado com tal cara. Não sei se ela me traiu de novo, mas a confrontei (não falei do meu amigo, obviamente, disse que a vi na rua) e ela manteve que não me traiu, mas que, dessa vez, poderia ficar com quem quisesse pq "fez a coisa certa". Eu disse que não conseguiria conversar com ela enquanto ainda tivesse sentimentos, ela disse que entendia, mas que queria saber de mim, que eu ainda era "o melhor amigo" dela.
Isso faz um mês e meio. Eu não consigo deixar de me sentir mal. Eu podia ter feito tanta coisa melhor, mas não fiz. Ela me traiu, possivelmente duas vezes, e tudo que eu consigo fazer é me culpar. Eu só não a chamei ainda pq imagino ela ficando com esse cara, que é melhor que eu em tudo: mais bonito, com uma barba farta de lenhador, com uma carreira já estabelecida, carro na garagem, mora sozinho e afins. O que me leva ao lado profissional: a sala da faculdade se reuniu para um churrasco há 3 semanas, estávamos conversando sobre empregos e eu concluí algo: apesar de que eu (e eu sei quão arrogante isso soa) ter feito que metade da sala ganhasse um diploma, eu sou o único dali sem um emprego minimamente fixo e tenho um salário que é o menor de todos, com vantagem. Todos falam que eu vou ganhar 3k, 4k logo, mas eu já cansei de tomar portadas de empresas. Gasto com passagem, gastei com um terno novo, gravata, e tudo que eu consegui foram muito obrigados, mas uma parcela da minha sala que literalmente não consegue entender que 50% e 0,5 são a mesma coisa (eu tive que ensinar manualmente regra de 3 simples e cálculo com números decimais quando estudamos Matemática Financeira) estão em empregos bons na iniciativa privada, comprando casas e carros. E, de todos ali, só uma me arrumou entrevista na empresa dela (que eu não consegui, principalmente por dita empresa estar num processo de fusão). Quatro conversam ocasionalmente, e o resto só entra em contato pedindo para que eu faça para eles provas de inglês de processos seletivos ou provas da faculdade (para os que ainda não se formaram).
Eu estou fazendo Contabilidade agora, vendo se consigo recomeçar, mas estou extremamente desiludido. Não sei o meu problema, mas o que eu imaginava quando entrei na faculdade não aconteceu. Eu sou um total fracassado no mercado de trabalho, e dificilmente vou conquistar algo além de pular de trabalho em trabalho de escritório, para tirar 2 salários e soltar rojão de alegria por não estar desempregado. Na verdade, eu já imaginava algo nessa linha desde o último semestre, mas, além da esperança mínima, eu carregava que iria ter uma família. Alguém me aceitava, alguém me amava. Hoje, eu vejo que nem isso. Nesse mês e meio pós-término, eu percebi como meu stock está horrorosamente baixo. Ouvi diretamente de uma estranha (no Tinder, vale dizer) como eu sou "feio, com cabelo estranho e roupas deprimentes". A maior parte dos meus amigos disse que eu vou achar alguém, mas só uma amiga me apresentou para alguém (Spoiler: eu quis levar pra amizade pq esta pessoa demonstrou 0 interesse romântico em mim, mas temos muitas afinidades de gostos. Não quero que alguém legal se perca só por não querer abrir as pernas pra mim em qualquer futuro).
Então, qual a conclusão? Para relacionamentos, eu sou a tempestade perfeita: meus gostos não são nada pop, meu estilo de roupa desagrada geral, minha voz é deprimente, eu sou lerdo, distraído, amo entrar em rants gigantes quando me empolgo (vide este texto) e, mesmo que alguma garota um dia resolva passar por isso tudo, o prêmio dela será ter de viver com sexo oral recheado por 30s de penetração, num dia bom. Nenhuma mulher no mundo quer se relacionar com um homem que precise fazê-la ter um orgasmo com masturbação pq não aguenta chegar a 1min de penetração. Ou seja, eu até posso tropeçar em alguma peguete (sim, essa é a palavra, tropeçar. Um incidente do acaso, como foi com a minha ex), mas nenhuma jamais chegará a ser de longo prazo. Dificilmente eu terei uma família. E, sem uma família, não há nada para contrabalancear o fato de que eu sou um fiasco profissional. O "menino gênio" do colégio, o "cara que vai ganhar 7000 daqui 3 anos" da faculdade nada mais era que uma pessoa com um par de neurônios no meio de um grupo de pessoas com bases educacionais mais fracas que a minha e, principalmente, sem interesse algum em estudar. Numa sala focada, eu teria de me esforçar para estar no meio do pelotão. Eu sou mediano intelectualmente e, profissionalmente, sou um lixo que não conseguiu fazer networking na faculdade e, hoje, irá ter de viver de escritório em escritório, sem nenhum breakthrough.
Minha vida parece estar desenhada para ser a definição de um fiasco, de um total e completo desperdício de oxigênio. Mas eu tenho uma missão: cuidar dos meus pais. Ambos dependem demais de mim psicologicamente, ambos me amam mais do que qualquer outra coisa. Sem a minha presença aqui, a vida dos dois colapsaria. Sinto que eu só vim ao mundo para ser o pilar da vida de ambos. Então, eu tenho que ir empurrando a minha vida enquanto ambos estão vivos, tentando ao máximo não embaraçar eles mais. Decidi que vou viver a vida no limite nesse meio tempo: finalmente comecei a fazer academia (minha postura sempre foi torta e, nos últimos 2 meses, eu ganhei peso. Quero eliminar essa pança antes que ela vire um problema), fui ao Maracanã mês passado ver a ida da Copa do Brasil (sou de MG), devo receber uma indenização boa quando sair daqui e estou planejando um mês de curso de inglês na Europa (meu inglês é bom, mas não é perfeito e isso sempre me incomodou horrores, sem falar que conhecer a Europa é O sonho que eu tenho de vida). Será o meu maior highlight, e a única loucura que eu me permiti fazer. Quando voltar, vou fazer o que gosto e, mais importante, vou cuidar dos meus pais, de tudo que eles precisarem de mim.
Não sei o que o futuro reserva pra mim, mas, pensando com lógica, eu devo chegar nos meus 35/40 anos quando ambos meus pais falecerem. Quando isso acontecer, serei um solteiro entrando na meia idade, possivelmente com pouca experiência sexual que não envolva garotas de programa, num emprego pouco satisfatório e sem nenhum amor que tenha sido recíproco e que não acabe na mulher se cansando de um cara patético e percebendo que praticamente qualquer coisa é melhor que eu. Será covardia, alguns sentirão tristeza, mas será temporário, todos irão superar, e haverá um pouco mais de oxigênio no mundo.
A minha mente ainda tenta, em alguns momentos, achar alguns cenários de ilusão, de que algum milagre irá acontecer, mas não irá. Eu sei que não. Profissionalmente eu fracassei. Academicamente eu fracassei. E, amorosamente, eu também fracassei. Vi que não basta achar alguém que aguente a minha personalidade, ela não irá suportar alguém que trata preliminares como Evento Principal, e eu irei morrer com esta condição.
Por mais paradoxal que seja, pensando assim eu estou aprendendo a abraçar o que eu gosto. Eu gosto de ler. Eu gosto de sair para comer e voltar para casa. Eu gosto de esportes. Eu gosto de escrever. Eu gosto de viajar. Não vou mudar o que eu gosto pelos outros, até porque será inútil, resolver um sintoma não cura a doença, e não há remédios o bastante para curar todos os sintomas dessa doença chamada eu. Fico feliz pelos meus pais existirem, pq, se não fosse por eles, eu teria sido um fiasco absoluto em vida. Fico feliz pelo meu último namoro, pq eu nunca me senti mais feliz do que numa tarde de sábado, quando ela disse "te amo" pouco antes de cochilar no meu peito. Eu fui feliz com o amor, e, por causa dela, eu aprendi que todo relacionamento que eu entrar, obrigatoriamente, terá um fim unilateral. Eu vou ser feliz com meus outros desejos, concluir meus hobbies, fazer o que eu gosto, e cuidar de quem me ama incondicionalmente, até o fim deles. Dali, serei eu que terei meu livramento.
Eu precisava contar isso pra alguém, mas não quero que tratem isso como um pedido de ajuda, pq não é. Meu real objetivo de vida sempre foi ter uma família minha, ter um filho em uma casa estruturada e passar meu conhecimento adiante. Eu já sei que, por questões psicológicas e físicas, isso jamais acontecerá. Quando meus pais se forem, eu literalmente não terei mais o que fazer aqui e, se tudo der certo, eu terei realizado ao menos uma parcela boa dos meus outros sonhos. Eu estou tranquilo quanto a isso. Talvez ainda sinta, de novo, a dor de ver alguém me trocando por outra pessoa melhor, mas agora eu sei que isso acontecerá. Doerá menos, eu espero. E, se nem isso eu conseguir, bem...dois salários por mês dá para pagar por sexo.
De novo, desculpem pelo texto gigante.
tl;dr: Todos confiavam em mim, todos achavam que meu futuro seria brilhante. Meu futuro será medíocre, patético e, ao menos, tem uma data para acabar
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2017.05.07 07:19 deansbrig Eu não sei o que fazer sem ela.

Bom, essa é minha primeira publicação no Reddit! Eu literalmente acabei de chegar. Ainda tô revirando subreddits e descobrindo coisas novas. Eu sempre me interessei pelo Reddit, mas nunca tive coragem de escrever nada.
Essa semana minha namorada terminou comigo. Segundo ela, eu depositava toda a esperança e frustração no nosso relacionamento. Ela sentia que precisava estar lá por mim o tempo todo, e que nada nunca era o suficiente. Ela se sentia obrigada a me empurrar muitas vezes, e nas últimas ocasiões em que coisas importantes deram errado, eu estive muito mais fragilizado do que deveria, e inerte.
Ela assistiu meu processo de amarguramento, engordamento, e auto-destruição em um geral ao longo do tempo em que estivemos juntos. Esses dias eu e ela caminhávamos na rua e uma mulher dentro do carro me chamou atenção, mostrando que o sinal tinha acabado de abrir. Achando que ela tinha nos insultado de alguma forma, gritei que ela fosse tomar no cu, ali mesmo. Ela tava com a família no carro. É esse nível de amargura e agressividade que eu tenho cultivado. E eu costumava ser um cara que gosta de ajudar os outros, sorri, compreende a dor alheia e gosta de imaginar a história das pessoas desconhecidas à sua volta. Acho que no fundo eu ainda sou isso, mas no meio do caminho eu me perdi.
Ela disse que ainda me ama, mas amor não é suficiente pra manter um relacionamento. E eu concordo. Concordo com absolutamente tudo o que ela disse. Minha depressão e minha autoestima deplorável sempre me fizeram depositar mais confiança de mudança em outras coisas que em mim. É como se eu andasse com o auxílio de uma bengala, mesmo que bastasse alguma dedicação pra que eu andasse normalmente. Eu imagino o peso que ela deve ter suportado, mas percebi tarde demais.
Quando eu olhava pra ela e chorava só por perceber que eu tinha encontrado o amor da minha vida, ''eu te amo'' não parecia o suficiente pra dizer tudo o que eu sentia. Agora, depois que ela me deixou, ''tristeza'' também não parece ser o suficiente pra descrever o que eu tenho sentido. ''Dor'' se aproxima.
Antes de vê-la pela última vez, eu perguntei se ela achava que tínhamos um futuro juntos. Ela disse que talvez, quando estivéssemos melhor. Meus amigos também acham que ela só precisa de um tempo.
Eu tenho tentado melhorar. Parar de fumar e beber. Voltar a me exercitar. Tentar comer de forma mais saudável. Tomar meus remédios, pedir pra aumentar a dose. Procurar algum trabalho voluntário. Mas o pior é que ainda não tenho conseguido assimilar que preciso fazer isso por mim mesmo, e não por ela, não pra que ela volte. Não consigo me imaginar vivendo em um mundo em que a gente não tá junto. A gente dizia que teria filhos. Nós planejávamos viver juntos no ano que vem. E agora eu voltei a um ponto em que não existe nada no mundo comigo, além do meu próprio corpo.
Foi bom escrever isso. Eu costumava escrever poemas pra ela, ela gostava. Depois que começamos a namorar, eu raramente o fiz. Acho que preciso voltar a escrever. Faz parte do processo de voltar a ser quem eu devo ser.
Se alguém leu até o final, eu agradeço de coração.
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2017.04.05 00:31 RicardoBarbosa Pais tóxicos

Boas pessoal do Reddit, começo por dizer que provavelmente este texto vai ser grande, e acreditem que mesmo assim, vai ficar muito por dizer... Eu sou um rapaz com 18 anos e ultimamente não consigo aguentar a situação que se passa em minha casa, acho que é meio óbvio que (infelizmente) vivo com os meus pais, dependo deles para tudo (dinheiro), ainda estou a estudar e pretendo ir para a universidade o que não vai melhorar em nada a situação. A situação que vos vou contar não é algo que começou recentemente, ou um período ou época, mas sim uma situação que se desenrola à vários anos (mais de 10). O que se passa é que os meus pais estão constantemente a discuti berra gritar e não são coisas leves, são coisas do gênero: (se me permitem) filho da puta, cabra, não serves para nada, és uma merda, se eu fosse a ti já me tinha matado, vai-te matar, quem me dera que morresses, vai-te foder, és um estúpido, enorme, etc... E acreditem que estou a poupar nas palavras. Às vezes quando saem de casa dissem "quem me dera espetarme e morrer", ou "vou-me matar". Isto é uma situação que repito se desenrola à vários anos e não tem vindo a melhorar, pelo contrário, além disso, já houveram agressões físicas e o meu pai é uma pessoa desabilitada, não caio em dizer que a culpa é de uma das partes, A CULPA É DOS DOIS, embora pense que a minha mãe seja pior. Já não sei o que é ouvir os meus pais a conversar, ou berram, ou simplesmente não se falam. Revelando mais um pouco, o meu Pai sofre de uma doença rara que faz com que ele esteja reformado por invalidez e que tome várias medicações para as dores, que provocam sono, então o meu Pai passa algumas horas a mais por dia a dormir. A minha mãe não respeita absolutamente NADA no meu Pai e na sua doença, por vezes provoca dizendo que é manha/ fingimento e manda-o ir trabalhar (sendo que dinheiro, graças a Deus, não é um problema aqui em casa, e não está perto de ser). Além disso todos somos domésticos (passamos a maior parte do tempo em casa), ninguém é alcoólico ou drogado, ou seja não é daí que vem os problemas. Ao longo dos anos penso que está situação sempre me afetou direta ou indiretamente, mas só agora realmente compreendo o mal que me faz, por vezes a pior parte do dia é quando chego a casa, quando estou no autocarro só penso para o que vou... Ultimamente tem me afetado nos estudos, quando vou estudar não me consigo concentrar e já tenho passado noites sem dormir, porque quando estou na cama tenho flashbacks com as discussões que são diárias e agressivas (psicologicamente). O problema maior de todos, é que eu amo os meus pais (a sério), e o meu maior desejo é vê-los felizes (mesmo que individualmente), não é pelo que eu ouço e sinto, mas sim por sentir uma imensa pena da situação que eles fazem a eles mesmos, ambos têm uma péssima auto estima (eu também, anyway...), não se tratam, vão ao médico à última em caso de doença, chegam a dizer "não quero saber, se morrer, melhor". Andam sempre tristes, não existe alegria dentro de casa. E a mim têm me afetado imenso, porque agora até eu ando triste e sem autoestima, sinto que não tenho valor, que não preciso de estudar porque não vou ser ninguém... Penso que para sair deste caso seria preciso um divórcio, e digo lhes isso várias vezes, mas eles ignoram e preferem viver nesta situação (por várias razões​ talvez €€). Porém sinto que não aguento mais isto, estou farto, o meu sonho seria viver sozinho, longe disto, os problemas deles estão a afetar me muito, e sinto que não posso fazer nada. Pronto, é isto, um desabafo porque sei que ninguém me pode ajudar... Mas precisava mesmo de escrever isto. Qualquer problema de formatação foi por escrever tudo no telemóvel.
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2016.05.12 19:54 marcusbright Uma odisseia - Como consegui bolsas de estudo para os EUA, França & Austrália. Texto longo.

RESUMO:
Nasci em São Luís do Maranhão, e sempre quis trabalhar com cinema. Em 2010 consegui uma bolsa de estudos 100% para estudar em uma das 10 melhores escolas de cinema dos EUA. Em 2014 retornei para o Brasil, e voltarei para os EUA em Agosto para cursar Mestrado na mesma universidade, também com bolsa integral. Desta vez o plano é ficar por lá e conseguir residência fixa.
 
Sempre que falo que estudei nos EUA recebo as mesmas perguntas. Deixo aqui um apanhado das minhas experiências nos últimos 10 anos em relação à estudar fora. Já existem vários guias onlines sobre o assunto, mas são quase todos genéricos e não abordam as questões específicas. Por isso, vou ser bem detalhista neste relato, que deve fica bem longo.
Além do mais, muitas vezes a conversa online se resume em “Casei com uma Americana” ou “Tenho cidadania europeia.” O que, sejamos sinceros, não ajuda muito quem não tem essas coisas. O meu caminho foi o do estudo, e é um caminho que, em teoria, todos podem seguir.
 
Esse relato é específico para O MEU CASO. Você pode conseguir uma bolsa de um jeito COMPLETAMENTE DIFERENTE, que desconheço. Posto minha experiência aqui para servir como REFERÊNCIA de como foi que funcionou pra mim e como foi minha vida durante o processo. Também dividi o texto em seções para facilitar a leitura de quem procurar um assunto específico.
 
MEU BACKGROUND
Sou de família classe média, filho de dois professores. Então, até mesmo por influência dos meus pais, sempre tive um foco muito grande na minha educação. Sempre fui nerd. Gostava de ler e passava horas na Wikipédia caçando links e definições. Credito à essa curiosidade e vontade de ir atrás de informação todo o sucesso que tive na vida. Creio inclusive ser um perfil bem comum aqui no Reddit, visto que têm uma predominância muito grande de pessoas autodidatas, especialmente programadores, e pessoas que geralmente procuram se manter bem informadas.
Se você for rico, pra ser sincero, ir pra fora não é um problema. Existem mil maneiras. Entrar numa universidade qualquer lá fora não é difícil (com exceção das top, claro).
O difícil é pagar.
 
MINHA DECISÃO
Sempre quis fazer cinema. Sempre mesmo. Não tenho memória de nenhum momento na minha vida em que este não fosse meu sonho. Mas foi quando eu tinha uns 10 anos que concretizei meu objetivo: “Quero ser diretor de cinema”. Assistindo entrevistas com meus diretores favoritos na época, ficou claro que todos eles tinham feito curso superior na área. Nos anos seguintes, começei a ficar mais consciente dos cursos de cinema no Brasil, e os que mais me chamaram atenção foram os da USP e da FAAP, considerados os melhores do país. Mas algumas coisas me incomodavam no geral:
 
  1. Os cursos brasileiros eram em grande parte extremamente teóricos. Amo teoria, mas acredito que ela deve informar a prática e vice-versa.
  2. No Brasil, cinema tende a ser uma concentração nos cursos de Comunicação. Lá fora são cursos específicos de Cinema.
  3. Equipamento e instalações defasados.
  4. A indústria cinematográfica no Brasil não era praticamente nada comparada à de outros países.
  5. Aquele povo chato de humanas (sou de esquerda, mas pfv né?)
 
E, claro, eram todos cursos muito longe de São Luís, MA. Pensei: “Porra, São Paulo e Los Angeles são ambos longe pra cacete, vou tentar ir pra LA logo.”
 
ENSINO MÉDIO
Durante o EM, começei a focar minhas atenções acadêmicas no cinema. Começei a comprar livros e estudar muito a respeito de roteiro, decupagem, fotografia, edição, em fim, a me aprofundar no assunto.
Na escola, convenci minha professora de Redação a me deixar escrever roteiros de curtas ao invés daquelas redações insossas. Para minha surpresa, ela concordou.
Eu era muito caseiro e apegado à família. Quando expressei vontade de estudar fora, ambos meus pais acharam que eu devia fazer um intercâmbio de curta-duração antes, pra crescer um pouco e aprender a me virar sozinho.
No começo a gente ficou meio receoso do investimento, mas acabou que não foi tão caro e meus pais tinham um dinheiro guardado. Acabei concordando e fui parar no Kansas por um ano letivo.
Não tinha nada pra fazer no Kansas em termos de cinema. Mas fui bem na escola, e me dediquei muito à História Americana . Também participei de muitas atividades extracurriculares. Participei do clube de competição de trivia, robótica, estudos avançados, etc.
Também fiz o SAT e o ACT, que são os ENEMs americanos (ambos se focam em matemática e inglês) usados para ingressar nas faculdades. Fui medíocre em ambos. Fiquei no nível da média nacional.
Terminei o ensino médio no Kansas e voltei pro Brasil em 2008 com um diploma americano.
 
O PROCESSO
“E agora?”
Foi essa a pergunta que eu fiz. Estava de volta no Brasil, formado no Ensino Médio. Como chegar nos EUA?
 
OS OBSTÁCULOS
Comecei a entrar em sites de universidades americanas e me familiarizar com os termos, processos de admissão, assim como procurar as melhores escolas de cinema. Queria ter feito isso antes. Era tudo muito confuso. Termos como admissions, financial aid, scholarships, fellowships, tuition and fees, eram completamente estrangeiros pra mim.
 
Mas logo ficou claro que eu tinha dois obstáculos à superar:
 
  1. Ser aceito em uma boa escola de cinema.
  2. Pagar uma boa escola de cinema. A anuidade das grandes universidades giravam em torno de 40.000 dólares. O salário dos meus pais não chega nem perto disso, nem o que eu ganhava como freelancer. Eu precisava de uma bolsa 100% da anuidade, e as despesas pessoais (moradia, alimentação, transporte) a gente podia economizar durante um ano pra pagar.
 
Para deixar claro: o preço é esse mesmo, e hoje está até mais alto. E isso não é só pra estrangeiro não. Americanos também pagam essa soma ridícula. A diferença é que eles recebem bolsas do governo federal e podem tirar empréstimo estudantis com os bancos. Não é raro para os Americanos se formarem com dezenas (até centenas!) de milhares de dólares em dívida. De fato, essa é uma pauta cada vez mais quente, e muitos estão preocupados com essa bolha de empréstimos estudantil.
 
Nós, brazucas, não podemos receber auxilio federal e também não podemos tirar empréstimos nos bancos lá (a não ser que você tenha um fiador que seja cidadão Americano).
 
Eu não tinha nenhum fiador, e nem queria passar décadas da minha vida em dívida, então sobraram 2 opções:
 
  1. Conseguir uma bolsa 100% da própria universidade
  2. Conseguir uma bolsa 100% de instituições privadas.
 
CONSEGUIR BOLSA DA PRÓPRIA UNIVERSIDADE
Que eu saiba, todas as universidades americanas oferecem bolsas de estudos. Mas são majoritariamente bolsas parciais. Bolsas de 2, 5, 10 mil dólares. Bolsas integrais são o santo-graal das bolsas de estudos.
E aqui começa o primeiro empecilho sério pros brazucas.
Para ser considerado para bolsas de estudo, você precisa ser aceito na universidade.
Para ser aceito na universidade, você precisa provar que pode pagar por ela.
É isso aí, catch-22 total.
Você precisa provar pra escola que tem grana no banco suficiente pra te sustentar durante o primeiro ano de estudos (anuidade, estadia, alimentação, saúde). Isso é um requerimento do Departamento de Estado Americano. Só assim a escola pode te aceitar e emitir o I-20, documento que você leva na embaixada pra tirar o visto de estudante.
Já ouvi falar de gente que pede pra parente rico enviar um extrato bancário e coisas do tipo, só pra ser aceito e ser considerado pra bolsa. Eu não conhecia ninguém rico, e nem tenho a cara-de-pau de pedir algo assim.
 
Apenas 5 universidades são exceção. Atualmente estas aceitam qualquer estudante estrangeiro e se comprometem de cara a cobrir todos os gastos necessário para os estudos.
 
  1. Amherst College
  2. Harvard University
  3. Massachusetts Institute of Technology
  4. Princeton University
  5. Yale University
 
Estas são as cinco universidades que são need-blind e full-need para estrangeiros.
 
*Need-blind: não pedem prova de que você pode pagar.
*Full-need: se comprometem a cobrir toda sua necessidade financeira.
 
Infelizmente nenhuma destas universidades têm curso de Cinema. Então nem considerei.
 
CONSEGUIR BOLSA DE INSTITUIÇÃO PRIVADA
Se você não conseguir ser aceito com bolsa diretamente na universidade, a solução é ir procurar em instituições privadas.
Existem várias instituições com programa de bolsas. Desde empresas que financiam a educação para seus empregados e filhos de empregados, até fundações filantrópicas.
 
Aqui no Brasil, acho que a mais famosa é o Programa de Bolsas da Fundação Estudar: https://bolsas.estudar.org.b
 
O processo é muito chato e têm várias etapas. Entrevista por Skype, Entrevista em pessoa, Dinamicas de grupo (argh!), etc. É uma putaria sem fim. Sem contar que é tudo feito no eixo RJ-SP, ou seja, eu teria que pegar um vôo pra SP pra participar de cada etapa (que ocorrem ao longo de vários meses). Mas o que mais me irritou foi que não divulgavam os valores da bolsa. Podia ser integral, podia ser parcial. Mesmo que eu fizesse todas as etapas e ainda fosse um dos contemplados, ainda podia acabar com uma bolsa de só 20%. Ainda teria que arcar com o resto. Sem chance. Se você mora nessa região e não precisa se locomover muito para participar das etapas de seleção, pode ser uma boa. Eu nem tentei.
 
Outras fontes para encontrar bolsas são a Universia: http://bolsas.universia.com.b
O Rotary também oferece bolsas, mas não conheço detalhes: http://www.bolsas.academicis.org/2014/03/rotary-internacional-oferece-bolsas-de.html
 
E, finalmente, descobri o Programa de Bolsas do IBEU/IIE: http://portal.ibeu.org.bsou-ibeu/estude-nos-eua/ibeuiie/
 
O programa contemplava alunos de todas as áreas, guiava os alunos por todo o processo de admissão nas universidades, e articulava bolsas com as próprias escolas (hoje o site diz que são só bolsas parciais, mas tenho a impressão que é só para não dar falsas esperanças…)
O processo todo podia ser feito à distância, e eu só precisaria ir pro RJ para uma entrevista caso fosse um dos finalistas.
 
Ótimo. Me inscrevi.
 
Precisei enviar uma série de redações (essays) e testes acadêmicos. Listo abaixo cada dos itens.
 
  1. Study Objective: Esta é a sua Carta de Intenção. Você precisa delinear os seus objetivos acadêmicos. Qual curso quer fazer? Qual especialização? Por quê? Como você vai colocar esse conhecimento em prática na sua carreira? Você têm experiência relevante na área? Explique.
  2. Biographical Essay: Basicamente a história da tua vida. Onde você nasceu, seus pais, família, figuras que te influenciaram, eventos que marcaram sua vida e o tornaram a pessoa que você é hoje.
  3. Personal Essay: Essa é uma carta pessoal. O objetivo é mostrar para o comitê de seleção quem você é como pessoal, não aluno. Você pode falar de uma experiência importante na sua vida, um risco alto que você tomou, alguma questão local, nacional ou internacional que seja de grande importância para você; algum filme, livro ou obra de arte que deixou uma profunda marca em você, ou algum tópico de sua escolha.
  4. Cartas de recomendação: 3 cartas de professores, chefes de trabalho ou colegas de profissão.
  5. TOEFL: O teste de inglês usado para entrar em todas universidades americanas. Meu inglês já era fluente, mas precisei pegar um vôo para Belém para fazer a prova (não era realizada em São Luís).
  6. SAT: Esta prova eu já tinha feito no Kansas. Eu não tinha ido bem, mas não tinha grana pra fazer de novo. Custa caro. Então usei a minha nota baixa mesmo.
  7. 3 SAT SUBJECTs: Esta são provas complementares do SAT que se focam em diferentes disciplinas. Você precisa fazer 3 disciplinas. Tive que ir pra Brasília fazer estas... Escolhi fazer as provas de História Americana (achei que impressionaria o comitê), Biologia (meus pais são professores de biologia. Então foi sussa) e Espanhol (nunca tive aula de Espanhol. Mas depois de fazer um simulado percebi como a prova era fácil. Quase fechei. E fiquei parecendo trilíngue).
 
Depois de meses de ansiedade, recebi o e-mail comunicando que eu era um finalista e estava convocado para a entrevista no RJ.
 
Compareci à entrevista, super nervoso. Me perguntaram sobre várias coisas que mencionei nas redações, e no final me informaram que eu tinha feito tudo completamente errado na Personal Essay. Era pra escrever uma coisa pessoal mesmo, tipo, algo que você escreveria num diário ou uma carta para um amigo. Eu tinha escrito um ensaio sobre o status do cinema como literatura do séc XX… Eles me explicaram como era pra fazer e mandar de novo (e fizeram questão de dizer que acharam o ensaio muito interessante).
Na saida, retardado como sou, nervoso pra cacete, digo “Tchau. Boa Noite.” Era 1h da tarde.
 
Semana seguinte recebo a lista dos 15 selecionados, e vejo meu nome na lista. Aí começa o processo de seleção de universidade.
 
ESCOLHENDO A UNIVERSIDADE
O IBEU, que trabalha como representante do IIE (Institute of International Education), pede uma lista das universidades em que eu quero tentar ingressar. Eu, claro, dou a lista das melhores escolhas de cinema que conhecia. UCLA, USC, NYU e Columbia.
O IIE olha as minhas escolhas, olha as minhas notas, redações, testes, etc. e dá um parecer, tipo: “A USC é muito mesquinha com bolsas, e suas notas não são boas o suficiente. Ou, a NYU não dá bolsa nenhuma.”
 
Ao final, disseram basicamente que eu não tinha chances em nenhuma dessas escolas. Fiquei bem chateado. Mas eles ofereçeram uma lista de escolas mais de acordo com meu perfil, onde eu tinha mais chances de ser aceito com bolsa. Uma dessas escolas era a Chapman University, e procurando online logo descobri ser uma das 10 melhores dos EUA.
 
Acabei tentando minha sorte na Chapman e algumas outras de menos calibre. Acho que ao todo tentei em 6 universidades.
Fui aceito em 5 universidades, e recebi oferta de bolsas nas 5. Duas destas cinco eram 100% da anuidade. E uma destas era a Chapman. De longe a melhor escola na minha lista.
Foi assim que fui estudar cinema nos EUA em 2010. Ao todo, levei dois anos entre terminar o Ensino Médio e começar o Superior. Nesses dois anos, não tentei entrar numa escola brasileira e nem arranjei emprego fixo. Trabalhei em projetos pessoais e freelancer, fazendo curtas, escrevendo roteiros, editando projetos, construindo portfolio.
 
Reconheço que fui incrivelmente abençoado por pais que deixaram o filho passar DOIS ANOS seguindo um sonho impossível, e sei que nem todos têm esse privilégio. Se você ainda está cursando o EM, recomendo tentar já. O ciclo de admissões para as universidades Americanas leva o ano inteiro.
 
A FRANÇA ENTRA NA HISTÓRIA
Em 2010 começei meus estudos na Califórnia. Assim que cheguei na escola, percebi que ela tinha um programa de estudos no exterior muito forte. Cerca de metade dos alunos passavam pelo menos um semestre no exterior.
Conferindo a lista de programas e escolas parceiras, vi que a Chapman tinha parceria com uma escola em Cannes, na França. Um semestre, culminando com um estágio no Festival de Cannes. E o melhor, a minha bolsa da Chapman era transferível para a escola na França. Eu só precisava pagar a passagem aérea.
 
Conversei com meus professores e orientadores e tracei todas as disciplinas que eu cursaria em cada semestre ao longo de 4 anos. Queria garantir que passar um semestre no exterior não atrasaria minha graduação. Isso é importantíssimo, já que as bolsas Americanas são renováveis por no máximo 4 anos.
Planejei com 1 ano e meio de antecedência. Comecei a fazer aulas de Francês na própria Chapman (essas aulas contavam como optativas), e em 2012 fui pra Cannes falando um Francês intermediário-baixo. Passei 6 meses estudando um intensivo da língua, história da arte francesa, e viajando pela Europa.
 
DE VOLTA PARA OS EUA E PREPARAÇÃO PARA MESTRADO
Em Agosto de 2012 estava de volta na Califórnia.
À essa altura eu já estava pensando no que fazer após a graduação, já que o visto ia expirar e eu queria continuar nos EUA.
Não é fácil. Após a graduação você pode passar 1 ano numa autorização de trabalho provisória chamada OPT (Optional Practical Training). Basicamente, vc se forma e tem um ano pra adquirir experiencia de trabalho antes do seu visto expirar (2 anos em caso de ser aluno STEM).
Depois disso, pra continuar com visto de trabalho, vc precisa ter uma empresa disposta a te patrocinar e te contratar em tempo integral. É um processo caro e chato, então a empresa tem que gostar muito de você pra passar por isso. Cinema é uma área de freelancers. Então a possibilidade de conseguir uma empresa disposta a te contratar num salário fixo, em tempo integral, é muito baixa.
 
Ficou claro, por diversas razões, que é muito mais fácil conseguir isso se você tem um Mestrado, e ru já queria fazer Mestrado mesmo. Minha educação sempre foi motivo de orgulho e prazer, então um Mestrado sempre foi certeza.
 
Decidi: “Vou fazer Mestrado.”
À essa altura, eu precisava declarar uma concentração no curso de Bacharel. Uma especialidade (roteiro, fotografia, etc.) Era muito importante me formar em algo que serviria como BASE para desenvolver trabalhos numa pós. Isso é importantíssimos pros Americano. Se você quer fazer pós em Direito, por exemplo, faça graduação em Relações Internacionais, ou História, ou Literatura. Também era importante ser algo que eu pudesse usar para pagar as contas, fazer meus próprios filmes. Enfim, ser auto-suficiente.
 
Declarei meu Bacharel em Animação e Efeitos Visuais, com esperança de fazer Mestrado em Direção e Roteiro Cinematográfico.
A partir de então, eu fiz TUDO que pudesse para me tornar um bom candidato para curso de Mestrado. As famosas atividades extracurriculares. Escrevi críticas de filmes para o jornal da escola. Trabalhei como Supervisor de Efeitos Visuais em vários projetos de amigos (um inclusive venceu um BAFTA). Me inscrevi em um programa educacional da Chapman que me permitiu escrever um roteiro de longa metragem sob a mentoria de uma produtora vencedora do Oscar. Fiz disciplinas optativas em Lógica, Filosofia, História, Teoria do Cinema, Inglês, enfim, tudo tudo tudo. Fui tesoureiro de um clube acadêmico e ajudei a organizar eventos.
 
A FULBRIGHT
Em 2014 retornei ao Brasil. Foi uma decisão dificílima de fazer, e muitas vezes achei ter cometido um erro terrível. Qualquer pessoa com bom senso teria ficado nos EUA com o OPT e ralado para encontrar um emprego qualquer e torcer pra conseguir um visto. Eu nunca gostei de torcer pra nada, sempre minimizar o acaso. Achei que tinha mais chances de conseguir uma bolsa pra Mestrado do Brasil do que um trabalho nos EUA.
A minha grande esperança era a Bolsa Fulbright: http://fulbright.org.bbolsas-para-brasileiros/
Pra quem não sabe, o Programa Fulbright é o mais prestigioso programa de bolsas dos Estados Unidos. Eles dão bolsas para Americanos estudarem fora e para estrangeiros estudarem nos EUA. 54 bolsistas chegaram a ganhar o Prêmio Nobel. 82 chegaram a levar o Pulitzer.
A Fulbright têm um programa específicos para Brasileiros que querem cursar Mestrado em Cinema nos EUA. O processo é praticamente idêntico ao do IBEU (ambos são coordenados pelo IIE). Esse programa era meu alvo.
E o melhor, a Fulbright oferecia, em conjunto com a CAPES, além da anuidade: seguro saúde, transporte aéreo e bolsa manutenção. É o sonho.
Então enviei minha inscrição pra Fulbright.
 
Não passei nem para as etapas finais. Fui eliminado quase de cara.
 
Passei duas semanas deprimido. “Voltei pro Brasil só pra conseguir essa bolsa e falhei.” Encarei a realidade. Tinha perdido minha chance de ficar nos EUA. De volta à estaca zero. Me mudei para São Paulo pra tentar tocar a vida como animador ou algo da área.
Ao mesmo tempo, comecei a procurar programa de bolsas para terminar meus estudos em outros países. Depois de ver a qualidade do ensino lá fora, não queria mesmo estudar cinema no Brasil.
 
PRÊMIOS CHEVENING, ENDEAVOUR & ORANGE TULIP
Como os EUA têm a Fulbright e o Brasil tem a CAPES, imaginei que outros países deviam ter orgãos similares. Fui procurar e descobri que o Reino Unido tem o Chevening Award, a Austrália têm o Endeavour Award, e a Holanda têm o Orange Tulip.
Todos são basicamente a mesma coisa. O mesmo tipo de processo. Bolsas de Pós para facilitar o enriquecimento mútuo entre ambas nações.
 
O Chevening Award requer uma experiencia prévia muito grande na área de trabalho, e eu era apenas um recém-formado. Como a Fulbright, cobre praticamente tudo, incluindo ajuda de custo para materiais acadêmicos, custo da tese de mestrado, taxa do visto e alojamento, entre outros. http://www.chevening.org/brazil
 
O Orange Tulip é um pouco mais limitado. Criado em 2012, o programa oferece bolsas com valores fixos para cursos e disciplinas pré-aprovados. https://www.nesobrazil.org/bolsas-de-estudo/orange-tulip-scholarship
 
O Endeavour Award é diferente. Aceita alunos de todas as áreas. Alunos de curso profissionalizante recebem 50% da anuidade. Alunos de curso de Mestrado ou Doutorado recebem 100% da anuidade. Todos recebem passagem aérea, ajuda de custo de alojamento, bolsa manutenção (3.000 dólares por mês), seguro saúde e seguro viagem. https://internationaleducation.gov.au/Endeavour%20program/Scholarships-and-Fellowships/Pages/default.aspx
 
Mandei minha inscrição para a Endeavour, listando todas aquelas atividades extracurriculares que realizei, meus projetos, honras, prêmios, etc. Qualquer crédito que eu tivesse. E comecei a rezar.
5 meses depois recebo a notícia: Consegui a bolsa de 50% para um curso profissionalizante.
 
UM PRÊMIO MUDA TUDO
Pouco antes de receber a notícia da Endeavour, recebi outra notícia boa: O filme que fiz como TCC no curso na Chapman havia vencido um prêmio importantíssimo. Com esse prêmio, a Chapman me ofereceu outra bolsa integral para voltar e realizar meu Mestrado lá.
 
E isso me forçou a fazer certas escolhas difíceis. Agora eu precisava escolher entre voltar pros EUA, prum curso ótimo, mas custo de vida alto, ou pra Austrália, prum curso relativamente fraco, mas com bastante ajuda de custo.
 
Eu não queria voltar pra Chapman pro meu Mestrado. Até por pura questão de experiência, eu queria explorar um ambiente novo.
Mas…. beggars can’t be choosers. Além do mais, eu já tinha uma base na Chapman, de amigos, professores, administradores, reitores, que seriam uma imensa ajuda na hora de conseguir um emprego e conseguir um visto ou green card.
 
Por isso, rejeitei a oferta da Endeavour e aceitei a da Chapman.
Volto pra lá em Agosto pra começar meu Mestrado em Direção Cinematográfica.
 
E é isso.
 
CONCLUSÃO
Ufa! Não achei que fosse ser tão longo.
Ao longo desses anos, 3 coisas foram essenciais e me permitiram aproveitar as oportunidades quando estas apareciam.
 
  1. Planejar a longo prazo
  2. Apoio dos pais para me concentrar 100% nesses objetivos. Tive o luxo de não ter outras preocupações.
  3. Uma sede de informação. Foram muitos, muitos e-mails, sites e ligações telefônicas pra conseguir toda essa informação.
 
É possível que algumas coisas não estejam tão claras no texto quanto estavam na minha cabeça. Vou deixar o post aqui e continuar respondendo caso haja mais duvidas. Qualquer coisa edito o post pra atualizar.
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